sábado, 19 de dezembro de 2009

Eficácia Profissional - Qualitymark Editora - Valença Associados

O autor, Antônio Carlos Valença, define esse seu livro como um tipo de compilação. Faz uma homenagem aos 21 anos da edição do livro "Theory in Practice", lançado em 1974, com grandes referências aos textos de Chris Argyris e tantas outras referências aos textos de sua parceria com Donald Schön. O livro que tenho aqui na minha estante foi comprado em 1997.

Esse é um livro para quem busca entender processos terapêuticos, mergulha em análise e tem interesse no mundo comportamental, das convencões, o mundo da ação e da interpretação humana.

Os sistemas abertos de aprendizagem pessoal e interpessoal são apresentados como o sistema de aprendizagem organizacional.

O autor trata de questões e dúvidas sobre como uma determinada profissão possui uma teoria de ação e como se ensina a prática profissional, o que o profissional precisa conhecer para exercer bem sua prática: as salas de aula, as clínicas psicológicas, os laboratórios de engenharia, ambientes estruturados para que cada profissão possa ter sua técnica e método.

Se uma atividade é nova ou antiga, se é socialmente aprovada ou ainda precisará ser sancionada há uma grande estrada de aprendizagem e prática.

O autor apresenta desenhos e esquemas de ambiente gerencial,  ressalta a interação entre o cliente e o profissional, para  produzir uma aprendizagem mútua e recíproca. O que gosto neste livro é que o autor me parece ser ético, claro, preocupado em explicitar as regras da aprendizagem, ninguém faz papel obscuro de cobaia, há conexão e mútuo reconhecimento entre o profissional e o cliente do processo profissional.

São listadas algumas condições básicas para a aprendizagem:

- forma da pessoa lidar com o erro ( profissional e cliente);

- detecção e correção do erro ( dos envolvidos);

- o encontro ( entre o profissional e o cliente);

- implementar condições e soluções adequadas porque o erro é qualquer aspecto do conhecimento em ação e que tornará ineficaz a investigação.

A importância da aprendizagem é ampliar a liberdade de escolha, ter mais alternativas para selecionar, ao contrário de reforçar comportamentos repetitivos que se manifestam na rotina e indicam a falta de aprendizagem.

pg 129 - " Ex: A controla o comportamento de B; A aprende que há consequências negativas do controle unilateral. Reduz este controle. Muda o comportamento. Mas os valores podem continuar os mesmos, isto é, A pode controlar-se com o intuito de vencer B. No momento em que B cometer um erro, A assume o controle. Muda o comportamento mas não muda a teoria em uso. "

Para compreender a ação humana é fundamental compreender a teoria em uso. Para ser observado, o comportamento precisa ser produzido. Precisa ter significado. Ao ter um significado social o comportamento se transforma em ação. "

Quando termino leituras como esta, fico muito mobilizada.

Se a postura dos profissionais, grupos, entidades, associações ou  detentores de meios de controle e educação não for amorosa, inclusiva e responsável com os indivíduos sob sua responsabilidade, pode-se transcorrer 10, 15, 20 anos de análises, observações e o índice de realização e felicidade, socialização do cliente ser baixíssimo. Perdeu-se mais uma vida a título de experimentação? A quem se irá prestar contas? Cada profissional e cada profissão tem sua ideologia!  Cada grupo é influenciável por pressupostos de sua criação. 

Na época em que eu trabalhava com defesa do consumidor eu fazia parte da corrente de profissionais que defendia o direito do paciente conhecer os efeitos secundários e colaterais de remédios e, essa postura, antes da década de 80 era um ultraje para médicos e especialistas que falavam em linguagem hermética e não davam direitos de autonomia aos pacientes.

Eu defendo o direito da individualidade ser respeitada, quando há um posicionamento legal, ético e de consciência, sem que isso signifique agredir o outro ou a coletividade.

Este livro para mim valida uma crença pessoal: só não se explicita a verdade e não se compartilha a sinceridade com pessoas que são consideradas, na hierarquia social, como tendo menos valor, menos respeito, não tem valor pessoal, são infantis e mantidas na infantilidade por interesses de grupos.


Quando profissionais querem levar vantagens sobre outros isso volta a ter uma justificativa.


Tratamentos infantilizados, fantasiados ou maquiados, quando uma pessoa entra num relacionamento municiado de recursos não disponíveis pelo outro, por exemplo, escuta telefônica, espionagem, investigação, há um desequilíbrio de poderes.


Os grupos de vítimas ficam em desvantagem permanente, sem recursos de auto-defesa e evolução humana. 

Imaginem se fossem selecionadas pessoas cuja intimidade fosse devassada para lhes fragilizar a vida social e comunitária! E que essas pessoas fossem normais, com suas características naturais, desejosas de afeto, amizade, respeito, vida social, necessidades comerciais, de compra e venda etc?!

O objeto do estudo do autor precisa ser complementado com leituras e estudos sobre os vários tipos de pessoas, as várias culturas e profissões com seus rituais, compromissos e sigilos etc.

Existem grupos que se julgam legítimos, contam com grandes espaços de intervenção e detestam expressão de afetividade, detestam expressões de sentimentos e emoções, só valorizam produção, atitude política ou atitude comercial ou postura corporativa, minuciosamente treinada, contida, estudada e verbalizada. É um aprendizado inquietante!

Maria Lucia Zulzke, em 19 de dezembro de 2009, às 11:00 am, em S.Paulo - SP - Brasil.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Capitalismo Natural - criando a próxima revolução industrial




cena matinal, 9 horas da manhã, em maio 2009, em Copenhague
transporte público, metro, ônibus, andar a pé e bicicletas

Dizem que, na política, não existe vácuo. "O rei morreu, viva o rei".

No Vaticano, os cardeais fecham-se numa sala para escolher um novo Papa e só sairão da concentração de votações após a escolha de um  novo Papa, emitindo sinais para a população que aguarda, fumaças negras ( ainda não houve consenso) ou fumaça branca (temos nosso eleito), de acordo com a decisão obtida.

Vivemos em processo acelerado de industrialização e produção e consumo. Desacelerar bruscamente?

A humanidade, os sistemas não conseguiriam lidar com essa desaceleração e perdas. Um novo sistema precisa ser recolocado na pauta de todos os países e mudar o sistema global.

Há um abismo imenso entre as imagens da mídia entre o que/ quem é valorizado e o cenário de consumo sustentável. Há um abismo imenso na mídia entre o que equilibra o ser humano, o que integra o ser humano com o ambiente, a natureza e o mistério do Sagrado com as imagens mostradas.

Somos selecionados e discriminados, na maior parte dos grupos, por nossos padrões de consumo e pelo nosso visual, além de outros fatores classistas, corporativos entre outros da antropologia social.

Somos bem recebidos ou não pela marca de nossos carros,  pela nossa aparência, pelas nossas roupagens (sim, na nossa sociedade de consumo, a veste faz o monge) e por todos os sinais exteriores de riqueza.

Dependendo da cultura, isso torna-se ainda mais vital e crucial! Pessoas corretas, trabalhadoras e discretas são punidas se não forem vorazes e ambiciosas  ou se não entrarem no jogo da competição e concorrência.

Os autores dizem que, "trabalhadores mais produtivos" estão sendo demitidos, referindo-se às abelhas e espécies que fazem a conexão da natureza com os recursos naturais (vide comentários do dia 20 de agosto).



Portanto, negociações sobre quem vai manter florestas e quais países podem continuar desmatando florestas no planeta é uma discussão fadada à implosão do Planeta.  A equação e resultado final não leva à redução do consumo dos recursos não renováveis, só irá paralisar jogadores  mais cordatos.

A nova revolução industrial, abordada pelos autores, neste livro, parece ser o sinal de Fumaça Branca para os conflitos de crescimento sustentável. 

Com a elite de pesquisadores, cientistas e professores competentes espera-se sucesso na Reunião sobre Clima, em Copenhague. Darwin não pode continuar sendo usado indefinidamente nas sociedades pois é mais do que óbvio que a corda se rompe do lado do mais fraco.

Respeitar leis naturais, leis da física, da química entre outras: 1 +2 + 3 = 6 e  3 + 2 + 1= 6 - a ordem dos fatores não altera o produto em muitos casos.

80% da riqueza mundial nas mãos de 2% da população mundial elimina o diálogo de 98% da população e a possibilidade de mobilidade para melhores condições de vida, escolaridade, alimentação, moradia, saúde etc.

Tive acesso a este livro, na Palestra do Professor Luis Felipe do Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Procurar nos sites da Read - Revista Eletrônica de Administração e Portal de Gestão Ambiental da Universidade. Ele é autor do livro Gestão Socioambiental Estratégica.

Quando ele se apresentou em S.Paulo, em  29 de maio de 2008, num evento realizado pela Associação dos Engenheiros da Cetesb -  "Em busca da sustentabilidade", presença de conferencistas de vários estados e renomados, em consumo sustentável, desenvolveu sua palestra baseando-se no livro.

O Planeta não sabe ir para a mesa de negociações e não espera a hora certa para falar. O Planeta fala por si e os sinais estão evidentes.

Em Copenhague, na Dinamarca, o metro é perfeito, pontual, percorre distâncias bem grandes! em Copenhague os supermercados são despojados! em Copenhague - Dinamarca, ainda não adotaram a moeda euro! em Copenhague a população vai trabalhar de transporte coletivo ou bicicleta. 

E no Brasil, quantas cidades como Copenhague?  Quem quer planejar crescimento urbano e rural?



Mãe leva filho dentro de uma caixa, em sua bicicleta, nas ruas de Copenhague.
Bicicletas estacionadas, em vários locais, dia lindo de maio de 2009!

Maria Lucia Zulzke, em 05 de dezembro de 2009, às  13: 25, em S.Paulo - SP - Brasil

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Capitalismo Natural - Reunião sobre Clima na Dinamarca

Quem ler este blog, recomendo que procure, em 20 de agosto, meus comentários sobre o livro Capitalismo Natural da Cultrix - Amana Key.

Autores: Paul Hawken, Amory Lovins, L. Hunter Lovins.

A leitura do livro tem tudo a ver com a discussão e algumas propostas também!


3 de dezembro de 2009, às 15:20 hs, em S.Paulo - SP - Brasil, Maria Lucia Zulzke

Maslow no Gerenciamento - Abraham Maslow - Qualitymark Editora

Existem temas que vão e voltam, e a pirâmide de Maslow parece  estar dentre esses ensinamentos simples e óbvios, fundamental para cada pessoa individualmente.

Assim como a ascensão social, financeira é sonhada, trabalhada e vislumbrada, a descida é dolorosa em termos de posição, cargo, riqueza,  salários, relacionamentos, perda de saúde entre outras "perdas necessárias ou não necessárias". Muitas vezes, certas perdas são intoleráveis.

"A tarefa de cada homem é melhorar a si próprio" e isso significa - necessidades básicas, necessidades relacionais, necessidades comunitárias e de realizações, como bem explica Maslow para quem ler seus estudos.

Como mudam as necessidades, prioridades de grupos, os requisitos de gêneros e de regiões, é preciso cuidado para evitar equívocos e mentiras.

Contribuições individuais fortalecem empresas e organizações esclarecidas, mais socialmente responsáveis e menos destrutivas.

Há necessidade de boa comunicação para atingir a meta final que é a presença de pessoas felizes e melhores.

Maria Lucia Zulzke, em 03 de dezembro de 2009, às 9:11 am, em S.Paulo - SP - Brasil

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

.................... um esclarecimento após 104 dias .......................

Os livros mencionados até aqui, a partir de agosto de 2009, período de 104 dias, são importantes para mim.

Esclareço os motivos ao longo dos comentários e seleção de parágrafos. 

Todos os autores são queridos, alguns importantes e de renome internacional. 

Entre os livros menos conhecidos está o meu próprio, visto que foi vendido para um público específico no Brasil, segmento empresarial e acadêmico.

O fato é que cada um dos livros está em mim! Enquanto eu leio um livro, faço um diálogo silencioso com o (a) autor (a).  Eu converso com o / a autor/a.  Transporto-me para o lado do/a autor/a. 

Há um eco dentro de mim e eu passo a querer  reelaborar meu conhecimento e interpretação de mundo a partir da visão do autor (a).

Nos autores selecionados, alguém ou um fato importante nos reflete em algo, em alguma experiência, em algum desejo, em algum espanto, em alguma fase de nossas vidas, em um aprendizado.

Tecnicamente, em redação criativa, diz-se que "o (a) leitor (a) conversa com o (a) escritor(a)".

Maria Lucia Zulzke, em 02 de dezembro de 2009, às 14:35 hs, em S.Paulo - SP - Brasil