quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aprendi com meu pai - Luís Colombini - www.versar.com.br

O livro foi coordenado por Luís Colombini a quem cumprimentei pelo email acima e divulguei seu livro para amigos. Dei a dica no site bbel, em julho de 2009, como bom presente para Dia dos Pais.

Luís Colombini pode ser localizado no site acima.

Para quem tiver curiosidade sobre quem mais escreve além de Robert Wong - são  inúmeras pessoas importantes na nossa sociedade, que mostram sua voz, sua influência e sua visão de mundo .Alguns outros, além de Robert Wong:  Alice Carta (poucas mulheres, dentre os que se apresentam) - Roberto Duailibi - Nelson Motta - José Mindlin (não misture fantasia e realidade, foi a lição aprendida ao precisar mencionar nome de cidades) entre outros.

Alice Carta - confessou-se mimada, filha única e lembrava-se de um fato marcante quando se esqueceu de uma poesia aos 7 anos e foi humilhada por uma colega de escola.

O pai quem melhor a entendeu - disse-lhe que, se ela não havia conseguido naquele dia lembrar da poesia, mais tarde iria conseguir e completou: não ligue para o que dizem! Acredite em você!  Ela confia em si mesma e gosta de prevenção! "Eu posso dormir tranquilo enquanto os ventos sopram". Seu pai, Jorge Besterman, trabalhou na indústria automobilística e morreu cedo, aos 59 anos de idade.

Identifiquei-me em alguns aspectos com ela pois, além de meu pai ter também morrido cedo, aos 57 anos, ele também usava uma frase semelhante sobre não dar atenção a que os outros dizem - "Os cães ladram e a caravana passa".

Belíssima leitura para todos que gostam de histórias curtas, rápidas, profundas e de pessoas influentes na sociedade brasileira.

Maria Lucia Zulzke, em 22 de outubro de 2009, às 12:55 em S.Paulo - SP - Brasil

Aprendi com meu pai - Luís Colombini

Um ou outro? Este ou aquele? Olho para as estantes de livros e, do prazer que eu sentia em selecionar um livro para apresentar neste blog, a disputa entre os títulos começou a me atormentar!  Que humor!


Por qual razão este impasse entre os vários livros?




Escolhi o título: Aprendi com meu pai



Na minha adolescência  eu lia muitos livros e, após completar a leitura de um livro, escrevia uma ficha como de bibliotecária e fazia um resumo. Arquivava numa caixa de sapatos que eu havia forrado com papel colorido. Tinha dezenas de fichas brancas preenchidas e isso me ajudou muito nas aulas de português. No final da ficha, eu mencionava todas as palavras difíceis que havia aprendido e procurado no dicionário pois não conhecia o seu significado.


O livro de Luís Colombini é lindo! São histórias curtas, de pessoas muito bem sucedidas na nossa sociedade brasileira, na economia do país e na riqueza nacional, em todos os aspectos - religiosos, artísticos, empresariais, televisivos, da publicidade, da gastronomia etc etc etc . Quem comprar ou ler o livro saberá.

Começarei por Robert Wong - seu pai foi um general na China e precisaram deixar o país pelas forças dos ventos que sopravam por lá.

Ao chegar ao Brasil, o pai sem o cargo, sem suas propriedades, prometeu aos filhos o que lhes proporcionaria - educação, saúde e auto-estima! Promessa cumprida - Robert diz ter ótima saúde,  e mais de 60 anos, inquestionável educação e eu conheço um de seus amáveis e inteligentes irmãos, influente na opinião pública.

Adorei a lição de casa que seu pai lhes impunha!

Escrever e copiar as palavras do dicionário, de A a Z, com significado e exemplos. E o pai dava um ditado e se acontecessem erros, mais estudos, até que as crianças ficassem firmes. Depois, iam brincar, tinham liberdade para o lazer.



palavras no Museu da Lingua Portuguesa, em S.Paulo, lugar obrigatório para visitar!

Esta foi uma das melhores lições que li no livro!

Existem outras lições valiosas, algumas surpreendem.  No conjunto, mostram a diversidade de valores existentes na liderança e na elite brasileira.

Eu não irei mencioná-las pois os pais, em geral, são modelos de vida para seus filhos e o olhar amoroso é um atenuante para as interpretações de sucesso dos filhos. 

Maria Lucia Zulzke, em 22 de outubro de 2009, às 11:55 am, em S.Paulo - SP - Brasil

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"The Silent Language" - Edward T. Hall

Eu já trouxe esse autor americano, anteriormente, e irei mencioná-lo novamente, neste blog. Ele, como antropólogo e, durante anos e anos, Diretor de Treinamento e Comunicação, na Escola de Psiquiatria de Washington - USA, contribuiu muito com "insights" extremamente importantes.

Tenho especial fascínio por esses estudos pois só vim  conhecer esse tipo de observação científica bastante tarde, com quase 50 anos de idade. Era como se eu tivesse nascido, finalmente, neste planeta.

Na juventude, eu estudei no científico,  cursei Engenharia e confesso que meus referenciais eram muito próprios das ciências exatas.

Diziam que eu via o mundo com "óculos coloridos" e não o mundo como é, na realidade. Mas, afinal, ao assistir televisão, invadem a tela milhões de diferentes realidades!

Na faculdade, eu estudei praticamente todos os dias, inclusive, aos sábados e domingos. Durante a semana, com grupo de colegas, estudávamos até meia noite ou mais pois era "puxadíssimo"!

De manhã e à tarde, aulas e mais aulas, matérias exatas, cálculos, reações nos alimentos, leis da física, química, crescimento dos microrganismos etc.

Comecei a ler alguns livros de "humanas", como antropologia ou psicologia, depois dos 30 anos.

Eu sobrevivi nas diferentes culturas com a convicção de que havia um "lugar ao sol" para mim. E essa auto permissão para viver é muito importante!

Edward, o antropólogo, acumulou, trabalhou e compartilhou sua experiência ao observar as diferentes culturas como mecanismos inconscientes e, também, estudou, individualmente, como os seres humanos podem transcender limites.

O título do livro já é muito bom: A Linguagem Silenciosa! e,
o antropólogo, observou o comportamento das pessoas em diferentes locais e países :  Não se trata apenas de não usar palavras na comunicação, mas é um universo inteiro de comportamentos sendo projetado, mesmo que, na ausência de palavras.

Quanto mais estudamos esses assuntos, mais percebemos como é importante, aliás, essencial que se entenda como as outras pessoas observam os nossos comportamentos - não nossas palavras, mas nossos comportamentos. E, o mais intrigante, é constatar que comportamentos são aprendidos e são culturais,  daí tantas diferenças, tantas divergências e tantos desencontros.

Um telefonema, dependendo do horário, tem um significado  diferente - indica o grau de interação e intimidade entre as pessoas e a importância do assunto. Nos Estados Unidos, por exemplo, se alguém chama uma pessoa muito cedo, de manhã, quando ainda é horário do café da manhã, significa que é de extrema urgência. Um telefonema durante a madrugada, período em que se considera que todos dormem, é considerado um assunto de vida ou morte.

No mundo relacional e social, formal, só com muitos pedidos de desculpas é que se pode fazer um convite para um jantar com 2 ou 3 dias de antecedência.

O autor relata várias experiências relacionadas ao TEMPO: dois irmãos haviam combinado se encontrar em Cabul, num determinado mercado, mas não disseram em qual ano voltariam a se procurar. Um deles, anualmente, ia até o local, para ver se o outro havia aparecido e nunca voltou a localizar o irmão. É  estranho como pessoas lidam com o seu tempo e do outro!

Outra observação: no Irã, faz parte da cultura que homens leiam poesias, andem de mãos dadas, desenvolvam sua intuição e sejam mais sensíveis em oposição ao comportamento feminino, formatado para ser mais prático.


Portanto, comportamentos são aprendidos e não inerentes à natureza humana!


Com sua visão de antropólogo, verifica como a cultura é construída, tijolo por tijolo. O fenômeno cultural surge como uma construção da comunicação, assim como os idiomas levantam diferentes imagens da realidade.


Os tempos evoluem rapidamente em termos de ciência e tecnologia, mas precisamos questionar se evoluem os processos de controle, de julgamento de comportamentos e de poder. Podemos ter muita surpresa com a realidade dos fatos.

Maria Lucia Zulzke, em S.Paulo-SP-Brasil, às 9:22am, 21 outubro de 2009.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Portais Secretos - Nilton Bonder - Rocco Editora

Até breve, Lya Luft! Seu livro continua pertinho do meu coração.

Eu me comprometi, internamente, com os outros autores e quero apresentá-los aos meus eventuais leitores (nem imagino quem leia este meu blog além de algumas poucas pessoas queridas de minha família nuclear!)

Um dos meus mais prezados autores, em meu histórico de vida profissional, por mais de 16 anos, é o rabino Nilton Bonder. Creio que tenho quase todos os seus livros, recomendo que comprem e leiam!  

Eu escrevi para o rabino Nilton Bonder, em 1997, pois adoro cumprimentar os autores e fiz questão de usar referências de seus livros em meus cursos.  Seus livros foram devidamente mencionados e os créditos ressaltados. Ao escolher o seu livro -  "Portais Secretos - acessos arcaicos à internet" - meu objetivo é duplo: também prestigiar esse meio de conexão e comunicação, poderoso por nos conectar com os demais  que 
"comungam" nossos maiores valores pessoais,  familiares, profissionais, sociais, ambientais etc 

Eu só abro sites que me deixam à vontade e como não sou contratada por ninguém e nem estou investigando o lado dark do mundo,  eu faço um foco no que considero o melhor para mim.

Vamos ao livro:

pg 88 " Como posso rezar pedindo para que alguém se arrependa de suas faltas, quando esta prece, se for ouvida nos céus, representa uma clara interferência no livre-arbítrio desta pessoa?"

" Respondeu o rabino: O que é D´us? A totalidade das almas. Seja lá o que existe no todo, também existe na parte. Portanto, em cada alma, todas as almas estão contidas. Se eu me transformo e cresço como indivíduo, eu mesmo contenho em mim a pessoa a quem quero ajudar, e esta contém a mim nela. Minha transformação pessoal ajuda a tornar "o ele em mim" melhor e o "eu-nele" melhor, também. Desta forma fica muito mais fácil para o "ele em mim" tornar-se melhor."

pg 89 " Mas se não conseguimos ainda sequer perceber isto em relação a outros seres humanos, com os quais temos tantas intercessões, imagine-se então com outras espécies ou com tudo mais que existe.

É parte da evolução humana descobrir que o mundo externo é uma representação do lugar de cada um de nós. Quando entendermos isto, vamos nos surpreender por reconhecermos o quanto nossas existências são uma representação virtual destas inúmeras interações. Nossas vidas são um meio, uma mídia, uma determinada forma de expressão destas intrincadas interações da rede."

pg 75 - " A interatividade é a cidadania do exílio. A chamada realidade virtual não é a realidade da mentira, a realidade que não está acontecendo. O que é virtual hoje é o que não possui uma mídia apurada o suficiente para ser percebida como uma realidade absoluta."

pg 69 " Diferentemente dos nômades que nunca internalizaram o paradigma do lugar, os descendentes de Israel traziam esta dualidade de preservar o sonho de retorno ao lugar a partir de uma experiência profunda de não-lugar. E tornaram-se mestres no não-lugar.....Um mundo tentando se consolidar em fidelidades nacionais, convivia com estes que funcionavam internacionalmente. Seja no comércio no qual se sobressaíram ou mesmo nas atividades financeiras, os judeus viviam numa dimensão internacional e isto era compreendido como muito perigoso "


Maria Lucia Zulzke, em 20 de outubro de 2009, às 10:37 am, em S.Paulo - SP - Brasil.

domingo, 18 de outubro de 2009

O Rio do Meio - Lya Luft - Editora Mandarim


Vou recomendar este livro para quem se interessar no tema. A autora é de valor inquestionável e reconhecido.

Transcrevo, alguns poucos parágrafos, para dar curiosidade aos amantes da boa leitura:

" Quando invento e desinvento, quando manejo esses cordéis, são tão reais para mim essas criaturas minhas como se sentassem à minha mesa e vagassem no meu corredor. "

"Ninguém que conheci está inteiro em meus livros; muitos estão em pedaços, cacos de humanidade que vou remontando, reorganizando em novos perfis. Vou puxando aqueles fios e com eles vêm as histórias desses personagens que são meus de um modo que nem eu entendo."

"Alguns autores falam lucidamente da arquitetura de seus livros: eu, antes, parece que a recebo quase pronta do meu interior, a intuição em seus lampejos pescando em um território que foge às minhas racionalizações. Talvez por isso a literatura me ocupa bem menos que a vida." pg 134


pg 107 - " Junto com o filho gestamos dúvidas: dar a vida será dar a essa criança sua individualidade, suas derrotas e conquistas. E muito pouco disso poderemos vigiar. Cada filho rasga em nosso flanco uma ferida por onde entram dores e alegrias, e não seremos mais donas de nós. Mesmo quando esse bebê já for uma mulher serena ou um sólido homem com sua própria família e sua profissão, continuaremos - ainda que disfarçando - atentas, aprendendo que amar é tantas vezes um mergulho cego."

pg31 "Não faz muito tempo alguém me contou que fora aluno dele (pai da Lia Luft) já em seus últimos anos, e ficara impressionado com a simplicidade com que, recebendo-o em casa, vendo-o avaliar a quantidade de livros, o velho mestre dissera, abrangendo com um pequeno gesto as quatro paredes ao seu redor: - Estes são os meus amigos. Quando criança eu não imaginava que um pai pudesse sentir-se solitário. Era inocente."

pg 37 -" Tem mais de quarenta anos......Entrou numa joalheria e comprou um anel que nunca mais tirou do dedo, sua aliança consigo mesma e com a sua verdade."

Só lendo, para apreciar o que essa bela leitura proporciona. Com delicadeza, tanta delicadeza e afeto, ela estimula a ousar e não desistir.

Eu voltarei a este mesmo livro.

Maria Lucia Zulzke, domingo, dia 18 de outubro de 2009, às 9:24 am, em S.Paulo - SP - Brasil - primeiro dia do horário de verão - pelo horário de verão 10: 24 am