domingo, 6 de setembro de 2009

'"Sem Sangue" - Alessandro Baricco - Cia das Letras







                                   foto na Flip 2008 - julho - Paraty, Brasil

Alessandro Baricco é um escritor italiano, renomado, tem escrita enxuta, temas europeus, mas dramas e conflitos presentes em todas as culturas.

Nesse seu livro, as marcas da "guerra" revelam-se ao longo de décadas. Em "Sem Sangue", a guerra poderia ter acontecido em qualquer país, em qualquer tempo e suas marcas persistem visíveis ou invisíveis, nos corações.

Como escreve o autor, quem decide pela "guerra" considera a luta legítima para "construir um mundo melhor" mas, a maioria sofre e não tem direito à defesa.

E, será que o "mundo fica melhor?"

Nesse livro, olhares e ouvidos inocentes são testemunhas dos infortúnios de sua família nuclear.


"Muitos anos depois, haverá um encontro fortuito entre uma senhora e um vendedor de bilhetes de loteria. Mas não se pense em bilhete premiado nem sorte grande. Mais uma vez, o desfecho que parece óbvio driblará as expectativas, pois o destino reservou surpresas ao encontro dos protagonistas com seus próprios fantasmas."

"Para quem sofreu suas crueldades, quando se pode dizer que uma guerra chegou ao fim? E os nobres ideais podem justificar a violência?"

" O autor, nascido em Turim, é pianista de formação, graduado em filosofia e foi crítico de jornais e televisão."


por  Maria Lucia Zulzke,  em São Paulo - SP - Brasil,  em  6  setembro  2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Comédias da Vida Privada - Luis Fernando Verissimo

Quem não conhece esse autor? E, seus tipos inesquecíveis? O Analista de Bagé e a ingênua Velhinha de Taubaté?

"Nesse livro ele traz o território da classe média, a complicada engenharia familiar, as fidelidades, infidelidades, as mesas de bar, as angústias, o trágico e o cômico combinados na estranha sinfonia do cotidiano, casais, salas de jantar onde são decididos destinos com a televisão ligada...."

             Férias

"- Praia - gritou a filha.
- Serra - gritou o filho.
- Quintal - sugeriu o pai, pensando na crise.

A mulher tinha um sonho fazer um cruzeiro num transatlântico de luxo. Só uma vez na vida. Noites de luar no Caribe. Drinques coloridos à beira da piscina. Lugares exóticos com nomes românticos.
- Galápagos...
- Barbados...
- Falidos...
- Fal... como, Falidos?
-É o que nós ficaríamos depois de uma viagem destas. Você sabe quanto custa? "
.......................................
São 101 crônicas escolhidas e muito bem humoradas.
Editora L&PM, Porto Alegre, edição 1996.

por Maria Lucia Zulzke, em 03 de setembro de 2009, às 10:30am, em S.Paulo - SP - Brasil

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"O último judeu" - uma história de terror na inquisição

É um dos romances de Noah Gordon, editado pela Rocco. Há citação ao início de agosto de 1489.

O conteúdo é fascinante, a leitura envolvente e a trama não me deixa parar. A todo momento vem a pergunta angustiante: o holocausto, então, não foi uma construção pontual do século 20? 
A "humanidade" seria repetitiva e cíclica?

Alguns dos ingredientes do terror e das raízes da intolerâcia são:

1)escolhido um público alvo;
2)comportamento é estudado;
3)hábitos e rituais são perseguidos;
4)estimulada a denúncia;
5)fontes de renda e da sobrevivência financeira são cortadas;
6)exclusão social;
7)membros de uma mesma família são levados ao isolamento

É um romance.

Escreveu, Gilberto Dupas, em artigo sobre "As raízes da intolerância" - jornal "Estado de São Paulo", Espaço Aberto, em 8 de fevereiro de 2003  "A exacerbação da intolerância, disfarçada por uma falsa retórica de valores absolutos, que leva à tentativa de imposição de normas e práticas, desenvolvendo comportamentos comunitários agressivos."

"Se conseguirmos despolitizar as religiões e tratá-las como minorias da comunidade política - e não transformá-las em razões de Estado ou alimento para o preconceito ....."

"Cabe aos mais poderosos o exemplo primordial de tolerância. Quem está em posição de tolerar é quem detém o poder de esmagar, mas decide não o fazer. Não tem sentido pedir aos vencidos que tolerem os vencedores.... a hegemonia se transformará em tirania."

O artigo de Gilberto Dupas, publicado no jornal O Estado de São Paulo, quando presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais, é atual, ainda que escrito em 2003. Fica a dúvida: ele conhecia ou pressentia?

 Maria Lucia Zulzke, em São Paulo, dia 01 de setembro de 2009, às 11:00 am

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

"The hidden dimension" - Edward Hall

O livro desse antropólogo, já falecido, foi escrito na década de 60 e é relativamente pequeno. Não sei se foi editado em português.

Eu fiquei muito bem impressionada por suas análises sobre a necessidade de distância ou de aproximação que os seres humanos precisam ter, entre si, pessoalmente, de acordo com a situação - distâncias críticas,  distâncias íntimas, distâncias sociais, distâncias pessoais e públicas, aproximações de confronto, a influência do olfato, visão e audição nas percepções etc. O tom de voz e o comportamento dos gêneros - falar alto ou sussurrar, usar voz normal ou falar muito rápido.

A intromissão na vida alheia, é entendida como sinal de inferioridade social para certos povos.

É um quebra-cabeça e tanto! Por exemplo, falar baixo pode ser entendido como sinal de educação mas pode despertar suspeitas de conspiração para outros.

As culturas diferentes também interferem nas formas de distribuição dos espaços  e, um mesmo recurso pode ser administrado de forma diferente, de acordo com as necessidades de isolamento ou de compartilhamento de um indivíduo, regido pela cultura.

Ex: adolescentes gostam de ter as portas fechadas de seus quartos para ouvir música e conversar ao telefone etc. É um sinal óbvio de necessidade de privacidade.

Percebemos o elevado individualismo atual e eu deduzo que isso seria uma contra- partida, uma tentativa de proteger-se do excesso de globalização, de massificação, de pasteurização de comportamentos, contra o excesso de informação e imagens sobre outros países, do excesso de exposição de vidas e cenários que pouco tem a ver com a nossa realidade do dia-a-dia.

Percepção do mundo  - o mundo pode ser percebido pelo tato, pelas sensações físicas ou pelas distâncias cobertas pela visão, ouvidos, nariz, estudos etc.

Com a imensa presença da televisão e da mídia na vida das pessoas, "empurrando" para dentro de nossos mundos, realidades que não nos dizem nada sobre as nossas experiências pessoais ou necessidades conjunturais, esse livro é um apoio valioso.

Pois, a cada meia hora ou a cada dia frente à mídia, não "damos conta" de alterar nossos filtros internos e nosso mundo interior, para atender imposições voláteis e tendências exageradas do mundo externo!



por Maria Lucia Zulzke, em 31 de agosto de 2009,  ao meio-dia, em S.Paulo - SP - Brasil

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

"Saboreando Mudanças" - Suco de cenoura, maçã e couve

Consulto, todos os dias, o livro da Flávia Quaresma e Jane Corona e, na página 130, encontrei o Suco de Cenoura, Maçã e Couve.







Adaptei, por minha conta, e ficou delicioso, parecia de abacate.
- 1 folha inteira de couve, bem lavada,cortada em pedaços;
- 2 cenouras pequenas, cortadas;
- 3/4 maçã verde, sem casca;
- 1 laranja "murcote", sem as sementes;
- 3 gotas de adoçante;
- 1 xc café de água gelada

Colocar no liquidificador. Bater bem. Rendeu um copo e meio, delicioso e cor idêntica a de abacate.

por Maria Lucia Zulzke, em 28 de agosto de 2009, às 19:00 hs, em São Paulo - SP - Brasil