Imre Kertész ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2002.
Este seu livro me atraiu pelo título e, o autor, deve ter uma especial delicadeza.
Doeu na alma ler esse seu livro. Porém, ao mesmo tempo, fica a mensagem e convicção do quanto cada um de nós precisa lutar para viver e proteger momentos de beleza.
Como superar a memória coletiva ou a experiência pessoal da barbárie - invasiva, opressora, destrutiva e castradora? Não há quem saia ileso(a) de uma experiência agressiva e perversa, constante e reincidente.
Identifiquei-me em várias passagens do livro e, eu explico: nasci no Brasil, numa cidade do interior do estado de S.Paulo, de mãe e pai brasileiros, mas ao entrar na escola, pequena, dei-me conta que por ter um sobrenome diferente com dois z, u e k, e de grafia incomum, criava curiosidade no meio dos colegas de sobrenomes latinos.
Essa era uma singela diferença pois, criança, eu desconhecia as diferenças sociais existentes no momento de nosso nascimento pela ascendência, pela "casta" e tantas outras estratificações entre os seres humanos independentemente da cor da pele...
Três dos meus avós eram italianos que haviam chegado no século 19 ao Brasil. O pai de meu pai, nascido em setembro de 1877, veio ao Brasil muito jovem, com menos de 18 anos, e talvez tivesse nascido na fronteira alemã - austro - húngara, não identificada, ou teria sido da Croácia ou Polônia? Nunca souberam precisar o nome da cidade e ele jamais voltou para sua terra, foi com sua mulher para a Itália aos 50 anos.
Na década que nasci, felizmente a segunda guerra havia acabado há mais de 6 anos mas, havia um "carimbo" para o perfil de "alemães". Ressaltavam seus piores aspectos, grotescos, não importava quão amorosos, sensíveis, habilidosos, trabalhadores, cordatos e agradáveis fossem seus descendentes ou familiares.
Na infância, eu lera aterrorizada o Diário de Anne Frank, e era ávida leitora das histórias terríveis dos regimes totalitários da União Soviética, a asfixiante "cortina de ferro", e as mirabolantes fugas das pessoas pelo Muro de Berlim. Algumas vezes, vi-me sendo olhada como alemã, no sentido ruim do que isso significa.
Será que no regime totalitário faziam censura de cartas? Colocavam filhos contra os pais? Destruíam crenças e laços afetivos? Destruíam famílias e relações pessoais honestas? Se isso era o regime totalitário, com certeza era o oposto de tudo o que eu acreditava e queria para minha vida.
Sei que o preconceito é generalizado em todas as culturas, raças, religiões e gêneros. É um fato muito triste e pesado! E essa sensação de confusão de identidade é explicada por Imre Kertész na pg 127 " Ao deixar Avignon, procurando pela estrada, ficamos presos com nosso carro alugado, de placa alemã, numa ruazinha estreita, provavelmente também na contra mão; de repente, um golpe forte estrondeia em cima do carro e uma voz horrível, distorcida pelo ódio, grita : "Weg von hier!", com forte acento francês. Passado o susto, compreendo: tratava-se de um simples mal entendido, a voz era de um francês germanófobo que queria mandar-me, judeu vagabundo de Peste, para o inferno francês planejado por ele para os alemães. Vejam só: num segundo transformei-me de judeu perseguido em alemão perseguido... Este mundo é assim mesmo, ao vingar-se, vinga-se de si mesmo."
pg 37 " Gostaria de prosseguir, mas há uma incerteza trêmula dentro de mim, uma nostalgia insuperável. Pois eu também tenho amor por minha solidão, pelas horas íntimas de ler e de atormentar-me, pela fonte de energia que se oculta no abandono, por todo esse velho estilo de vida que já virou parte de mim ... "
pg 8 " Sempre fui propenso, e continuo até hoje, a me considerar um "qualquer", que, em um sentido, não poupa esforços: no sentido de manter a lucidez diante de tudo. ... Mesmo que rangendo, abriu-se a porta da cela onde me mantiveram preso durante quarenta anos e pode até ser que isso seja o suficiente para me desnortear. Não se pode viver a liberdade no mesmo lugar onde se viveu a servidão. Deveria ir a um lugar distante, bem longe daqui. Mas não o farei. Então sou eu quem precisa renascer, transformar-me...mas em quem, em quê?"
Maria Lucia Zulzke, em São Paulo - SP - Brasil, em 7 de outubro de 2009, 1:40 am.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
"O Homem que calculava" - Malba Tahan - ed. Saraiva
"A pérola de Lilavati" - ano 508 - 1014 da era cristã
Sobre uma moça, cuja vida era definida por uma única chance.... realizar um casamento!
capitulo XVIII - Lilavati - "Baskara tinha uma filha chamada Lilavati. Quando essa menina nasceu, consultou ele as estrelas e verificou, pela disposição dos astros, que sua filha, condenada a permanecer solteira toda a vida, ficaria esquecida pelo amor dos jovens patrícios.
Não se conformou Baskara com essa determinação do destino e recorreu aos ensinamentos dos astrólogos mais famosos do tempo. Como fazer para que a graciosa Lilavati pudesse obter marido, sendo feliz no casamento?
Um astrólogo, consultado por Baskara, aconselhou-o a casar Lilavati com o primeiro pretendente que aparecesse, mas demonstrou que a única hora propícia para a cerimônia do enlace seria marcada, em certo dia, pelo cilindro do Tempo.
Os hindus mediam, calculavam e determinavam as horas do dia com auxilio de um cilindro colocado num vaso cheio dágua. Esse cilindro, aberto apenas em cima, apresentava pequeno oríficio no centro da superfície da base.
.....................
Lilavati, foi, afinal, com agradável surpresa para seu pai, pedida em casamento por um jovem rico e de boa casta. Fixado o dia e marcada hora reuniram-se os amigos para assistir à cerimônia. Baskara colocou o cilindro das horas e aguardou que a água chegasse ao final marcado. A noiva, levada por irreprimível curiosidade, verdadeiramente feminina, quis observar a subida da água no cilindro.
Aproximou-se para acompanhar a determinação do Tempo.
Uma das pérolas de seu vestido desprendeu-se e caiu no interior do vaso. Por uma fatalidade a pérola levada pela água foi obstruir o pequeno orifício, impedindo que nele pudesse entrar a água do vaso. O noivo e os convidados esperaram com paciência largo período de tempo. Passou-se a hora propícia sem que o cilindro indicasse o tempo como previra o sábio astrólogo. O noivo e os convidados retiraram-se...
....................
O jovem brâmane, que pedira Lilavati em casamento, desapareceu semanas depois e a filha de Baskara ficou para sempre solteira.
Reconheceu o sábio geômetra que é inútil lutar contra o Destino e disse à sua filha:
- Escreverei um livro que perpetuará o teu nome e ficarás na lembrança dos homens mais do que viveriam os filhos que viessem a nascer do teu malogrado casamento.
A obra de Baskara tornou-se célebre e o nome de sua filha surge imortal na História da Matemática.
"Nem a adição, nem a subtração, por maiores que sejam, fazem sofrer perda ou acréscimo à quantidade chamada quociente por zero".
(tantas maneiras de interpretar a moral dessa história: se a felicidade de uma mulher ficar restrita ao amor de um homem, como durante séculos e, sendo os homens volúveis, inconstantes e chegados a namoricos ao longo da vida, e sabendo que, alguns homens só amadurecem depois de 50 ou 60 anos, outros jamais amadurecem .... nem toda a água do mundo seria suficiente para fazer essa mulher feliz se for usar o Cilindro do Tempo para ver a hora exata para se casar! Principalmente porque o cilindro foi danificado.
Existem várias formas de amor na vida: amor à arte, à literatura, aos amigos, ao mar, à Roma, à música, à Paris, aos filhos mesmo sem acontecer um casamento, aos estudos, à sinceridade, ao trabalho e até à matemática... )
É muita determinação do destino mas parece que assim é.
por Maria Lucia Zulzke, em 06 de outubro de 2009, às 10:12 am, em São Paulo - SP - Brasil
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O Homem que Calculava - Malba Tahan - editora Saraiva
Tenho esse livro desde que era pequena. Tio Samuel Ribeiro dos Santos, casado com uma das irmãs de minha mãe, foi quem me deu. Ele sabia o quanto eu adorava ler e tinha um certo orgulho que eu me dedicasse aos estudos, pois ele foi um agrônomo dedicado e bem sucedido. É um livro de lendas e fantasias, e o autor se localiza em Bagdá, 19 da Lua de Ramadan 1321.
A dedicatória já é um "must" de fascinação! Foi dedicado aos 7 grandes geômetras cristãos ou agnósticos: Descartes, Pascal, Newton, Leibniz, Euler, Lacrance, Comte - (Allah se compadeça desses infiéis!) e, também, foi dedicado ao matemático, astrônomo e filósofo muçulmano - Buchafar Mohamed Abenmusa Al Karismi (Allah o tenha em sua glória!)
E, também, a todos os que estudam, ensinam ou admiram a prodigiosa ciência das grandezas, das formas, dos números, das medidas, das funções, dos movimentos e das forças.
assinado - Ali lezd Izz- Edin Ibn Salin Hank Malba Tahan - crente de Allah e de seu santo profeta Mahoma
O livro é delicioso para crianças e jovens, deveria ser leitura obrigatória em escolas para estimular o prazer pelos cálculos e pela intrigante possibilidade dos números na vida das pessoas.
"A singular aventura de 35 camelos que deviam ser repartidos por 3 árabes."
"Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremis, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
Encontramos, perto de um antigo "refúgio", três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos.
Por entre pragas e impropérios gritavam possessos, furiosos:
- Não pode ser!
- Isto é um roubo!
- Não aceito!
O inteligente Beremis procurou informar-se do que se tratava.
- Somos irmãos - esclareceu o mais velho - e recebemos, como herança, esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo eu receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte e ao Harim, o mais moço, deve tocar, apenas a nona parte. (nessa hora, eu, Maria Lucia, que era a mais nova na minha casa, ficava com o coração apertado porque sobrava sempre menos para quem vinha por último).
Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos, e a cada partilha proposta, segue-se recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio! Como fazer a partilha se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
- É muito simples - atalhou "o homem que calculava" -
Encarrego-me de fazer, com justiça, essa divisão, se permitires que eu junte aos 35 camelos da herança, este belo animal que, em boa hora, aqui nos trouxe!
Neste ponto, procurei intervir na questão:
- Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficassemos sem o nosso camelo?
- Não te preocupes com o resultado, ó "bagdali"! replicou-me em voz baixa Beremis - Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás, no fim, a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo "jamal" - camelo - que, imediatamente, foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
- Vou, meus amigos - disse ele, dirigindo-se aos três irmãos - fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora, como vêem, em número de 36.
E, voltando para o mais velho dos irmãos, assim falou:
- Devias receber meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36 e, portanto 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saiste lucrando com esta divisão.
E dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
- E tu, Hamed Namir, devias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois tu, também saiste com visivel lucro da transação.
E disse, por fim, ao mais moço:
- E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, devias receber uma nona parte de 34, isto é, 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado!
E concluiu:
- Pela vantajosa divisão feita aos Irmãos - partilha em que todos os três sairam lucrando - couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18 + 12 + 4) de 34 camelos.
Dos 36 camelos sobram, portanto, dois. Um pertence, como sabem ao meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido, a contento de todos, o complicado problema de herança!
- Sois inteligente, ó estrangeiro! exclamou o mais velho dos irmãos. Aceitamos a vossa partilha na certeza de que foi feita com justiça e equidade!
.... e continuamos a nossa jornada para Bagdá.
( uma das mais lindas lições desse primeiro capítulo, além da justiça numérica final, de algo não divisível - camelo, foi que o estrangeiro agregou algo para a solução do impasse - sai da paralisia do indivisível, em sua unidade e integridade, o livro continua em muitos capítulos de magia, matemática e solução de problemas - um rico que morre de fome no deserto, a dívida de um joalheiro etc)
Para crianças, jovens e curiosos na solução de problemas em busca de justiça e paz.
Maria Lucia Zulzke, em 05 de outubro de 2009, em S.Paulo - SP - Brasil, às 10:00 am
A dedicatória já é um "must" de fascinação! Foi dedicado aos 7 grandes geômetras cristãos ou agnósticos: Descartes, Pascal, Newton, Leibniz, Euler, Lacrance, Comte - (Allah se compadeça desses infiéis!) e, também, foi dedicado ao matemático, astrônomo e filósofo muçulmano - Buchafar Mohamed Abenmusa Al Karismi (Allah o tenha em sua glória!)
E, também, a todos os que estudam, ensinam ou admiram a prodigiosa ciência das grandezas, das formas, dos números, das medidas, das funções, dos movimentos e das forças.
assinado - Ali lezd Izz- Edin Ibn Salin Hank Malba Tahan - crente de Allah e de seu santo profeta Mahoma
O livro é delicioso para crianças e jovens, deveria ser leitura obrigatória em escolas para estimular o prazer pelos cálculos e pela intrigante possibilidade dos números na vida das pessoas.
"A singular aventura de 35 camelos que deviam ser repartidos por 3 árabes."
"Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremis, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
Encontramos, perto de um antigo "refúgio", três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos.
Por entre pragas e impropérios gritavam possessos, furiosos:
- Não pode ser!
- Isto é um roubo!
- Não aceito!
O inteligente Beremis procurou informar-se do que se tratava.
- Somos irmãos - esclareceu o mais velho - e recebemos, como herança, esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo eu receber a metade, o meu irmão Hamed Namir uma terça parte e ao Harim, o mais moço, deve tocar, apenas a nona parte. (nessa hora, eu, Maria Lucia, que era a mais nova na minha casa, ficava com o coração apertado porque sobrava sempre menos para quem vinha por último).
Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos, e a cada partilha proposta, segue-se recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio! Como fazer a partilha se a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas?
- É muito simples - atalhou "o homem que calculava" -
Encarrego-me de fazer, com justiça, essa divisão, se permitires que eu junte aos 35 camelos da herança, este belo animal que, em boa hora, aqui nos trouxe!
Neste ponto, procurei intervir na questão:
- Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem, se ficassemos sem o nosso camelo?
- Não te preocupes com o resultado, ó "bagdali"! replicou-me em voz baixa Beremis - Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás, no fim, a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo "jamal" - camelo - que, imediatamente, foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
- Vou, meus amigos - disse ele, dirigindo-se aos três irmãos - fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora, como vêem, em número de 36.
E, voltando para o mais velho dos irmãos, assim falou:
- Devias receber meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36 e, portanto 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saiste lucrando com esta divisão.
E dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
- E tu, Hamed Namir, devias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois tu, também saiste com visivel lucro da transação.
E disse, por fim, ao mais moço:
- E tu, jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, devias receber uma nona parte de 34, isto é, 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado!
E concluiu:
- Pela vantajosa divisão feita aos Irmãos - partilha em que todos os três sairam lucrando - couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18 + 12 + 4) de 34 camelos.
Dos 36 camelos sobram, portanto, dois. Um pertence, como sabem ao meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido, a contento de todos, o complicado problema de herança!
- Sois inteligente, ó estrangeiro! exclamou o mais velho dos irmãos. Aceitamos a vossa partilha na certeza de que foi feita com justiça e equidade!
.... e continuamos a nossa jornada para Bagdá.
( uma das mais lindas lições desse primeiro capítulo, além da justiça numérica final, de algo não divisível - camelo, foi que o estrangeiro agregou algo para a solução do impasse - sai da paralisia do indivisível, em sua unidade e integridade, o livro continua em muitos capítulos de magia, matemática e solução de problemas - um rico que morre de fome no deserto, a dívida de um joalheiro etc)
Para crianças, jovens e curiosos na solução de problemas em busca de justiça e paz.
Maria Lucia Zulzke, em 05 de outubro de 2009, em S.Paulo - SP - Brasil, às 10:00 am
sábado, 3 de outubro de 2009
ALÔ, CHICS! Gloria Kalil - Agir Editora
"Ninguém é chic se não for civilizado"
Esse livro aborda alguns aspectos da nossa vida cotidiana e que a educação antiga respondia, magistralmente, ainda que não se pertencesse ao grupo da "nata" da sociedade. Chamava-se - boa educação, e não dependia de critérios nebulosos ou do poder aquisitivo.
- Por exemplo, se chego carregando pacotes no condomínio, custa o vizinho ou o zelador me ajudar ? É esperada essa ajuda ou não? No livro, a reflexão e a recomendação.
- Se sou convidada para um almoço de negócios, custa o "colega" pagar a minha conta, mesmo que sejamos bem sucedidos e remunerados? Ela responde - quem convida, paga!
E que se dirá de homens muitíssimo bem remunerados que se fazem de "desentendidos" ou "modernos" e nem se oferecem a pagar a conta, para tratar de assunto do interesse deles!? É muita "cara de pau".
- E o que fazem as mulheres sem par, "avulsas" que são "carregadas" para programas e restaurantes por casal amigo? Tem alguma saída estratégica?
- Ou, se uma conhecida convida para um final de semana em sua casa, por qual razão ela fica surpresa se levo um bonito presente e algumas coisas gostosas para comer? É claro que ela tinha tudo na geladeira mas é um gesto de cortesia e consideração.
Triste é receber uma família inteira em sua casa de campo ou praia e contribuem com dois pacotinhos de salgadinhos porque a filha gosta só daquela marca! Para Gloria, é esperado que se presenteie sempre a dona da casa e que não se estique a temporada, além de várias dicas de cortesia durante a estadia.
Afinal, o que está acontecendo nas relações sociais nos dias de hoje? Ser gentil, para alguns, é normal, enquanto para outros virou objeto de suspeita.
Gloria Kalil confirma que o egoísmo e a excessiva individualidade tornam a vida nas grandes cidades infernal!
A etiqueta surge como uma espécie de ética do cotidiano, deixando a vida mais leve.
"Um assunto do barulho " - sobre convivência entre vizinhos nos edifícios. "É sempre o de cima que faz barulho no de baixo... educado é forrar o quarto onde as crianças brincam com algum tipo de revestimento isolante .... e tomar outras providências que demonstrem algum cuidado com os outros." eu adorei porque tem gente que acha que criança pode tudo!
" No escurinho do cinema" - celular, casais de namorados, pipoca, guardar lugar... como é bom conferir o que nos irrita com alguém como Gloria Kalil!
pg 39 - "Mulheres em minoria" - trabalham no mundo dos negócios, em universos muito masculinos - ela conta algumas situações e poderíamos ampliar as cenas com que as mulheres profissionais são confrontadas - os homens ainda gostam de testar e testar o intelecto feminino e alguns fazem questão de se comportarem como se ainda estivessem no tempo das cavernas.
pg 63 - Festa na empresa - ela lembra que, empresa, não é lugar de amigos ou familiares. Manter uma postura profissional é muito importante.
Aceitar convites de grupos de clientes (rapazes e moças) que se reunem depois de seminários? Pior se casada ou solteira? A linha séria de Gloria Kalil reforça as posturas de sobrevivência para evitar armadilhas.
O livro é excelente e apresenta saídas tanto para a vida profissional como para nosso relacionamento social.
E, com muito bom humor diz que dono de cachorro, é uma raça à parte, pois acha que todo mundo participa do seu entusiasmo pelos cães. Quem gosta de ser recebido(a) com latidos na casa de alguém, e ainda ter que disfarçar e empurrar o "animalzinho" que insiste em cheirar, lambuzar a roupa com a boca sempre molhada.
O bom humor esta presente nas recomendações e isso torna a leitura muito gostosa. Um sábado civilizado, com o livro de Gloria Kalil.
por Maria Lucia Zulzke, em 03 de outubro de 2009, em São Paulo - SP - Brasil, às 13:42 hs.
Esse livro aborda alguns aspectos da nossa vida cotidiana e que a educação antiga respondia, magistralmente, ainda que não se pertencesse ao grupo da "nata" da sociedade. Chamava-se - boa educação, e não dependia de critérios nebulosos ou do poder aquisitivo.
- Por exemplo, se chego carregando pacotes no condomínio, custa o vizinho ou o zelador me ajudar ? É esperada essa ajuda ou não? No livro, a reflexão e a recomendação.
- Se sou convidada para um almoço de negócios, custa o "colega" pagar a minha conta, mesmo que sejamos bem sucedidos e remunerados? Ela responde - quem convida, paga!
E que se dirá de homens muitíssimo bem remunerados que se fazem de "desentendidos" ou "modernos" e nem se oferecem a pagar a conta, para tratar de assunto do interesse deles!? É muita "cara de pau".
- E o que fazem as mulheres sem par, "avulsas" que são "carregadas" para programas e restaurantes por casal amigo? Tem alguma saída estratégica?
- Ou, se uma conhecida convida para um final de semana em sua casa, por qual razão ela fica surpresa se levo um bonito presente e algumas coisas gostosas para comer? É claro que ela tinha tudo na geladeira mas é um gesto de cortesia e consideração.
Triste é receber uma família inteira em sua casa de campo ou praia e contribuem com dois pacotinhos de salgadinhos porque a filha gosta só daquela marca! Para Gloria, é esperado que se presenteie sempre a dona da casa e que não se estique a temporada, além de várias dicas de cortesia durante a estadia.
Afinal, o que está acontecendo nas relações sociais nos dias de hoje? Ser gentil, para alguns, é normal, enquanto para outros virou objeto de suspeita.
Gloria Kalil confirma que o egoísmo e a excessiva individualidade tornam a vida nas grandes cidades infernal!
A etiqueta surge como uma espécie de ética do cotidiano, deixando a vida mais leve.
"Um assunto do barulho " - sobre convivência entre vizinhos nos edifícios. "É sempre o de cima que faz barulho no de baixo... educado é forrar o quarto onde as crianças brincam com algum tipo de revestimento isolante .... e tomar outras providências que demonstrem algum cuidado com os outros." eu adorei porque tem gente que acha que criança pode tudo!
" No escurinho do cinema" - celular, casais de namorados, pipoca, guardar lugar... como é bom conferir o que nos irrita com alguém como Gloria Kalil!
pg 39 - "Mulheres em minoria" - trabalham no mundo dos negócios, em universos muito masculinos - ela conta algumas situações e poderíamos ampliar as cenas com que as mulheres profissionais são confrontadas - os homens ainda gostam de testar e testar o intelecto feminino e alguns fazem questão de se comportarem como se ainda estivessem no tempo das cavernas.
pg 63 - Festa na empresa - ela lembra que, empresa, não é lugar de amigos ou familiares. Manter uma postura profissional é muito importante.
Aceitar convites de grupos de clientes (rapazes e moças) que se reunem depois de seminários? Pior se casada ou solteira? A linha séria de Gloria Kalil reforça as posturas de sobrevivência para evitar armadilhas.
O livro é excelente e apresenta saídas tanto para a vida profissional como para nosso relacionamento social.
E, com muito bom humor diz que dono de cachorro, é uma raça à parte, pois acha que todo mundo participa do seu entusiasmo pelos cães. Quem gosta de ser recebido(a) com latidos na casa de alguém, e ainda ter que disfarçar e empurrar o "animalzinho" que insiste em cheirar, lambuzar a roupa com a boca sempre molhada.
O bom humor esta presente nas recomendações e isso torna a leitura muito gostosa. Um sábado civilizado, com o livro de Gloria Kalil.
por Maria Lucia Zulzke, em 03 de outubro de 2009, em São Paulo - SP - Brasil, às 13:42 hs.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
"Inteligência Emocional na Empresa" Cooper Robert e Sawaf A. - Ed.Campus
Os autores, deste livro, são empresários e executivos, empenhados em desenvolver lideranças com inteligência emocional.
Utilizei alguns tópicos deste livro para cursos em empresas.
Sobre Conexões Emocionais e Intuições:
pg 85:
a) - " Lute por momentos de silêncio"
"Quando todos conversam é difícil ouvir a voz interior. Em ambientes de alta tecnologia e, com muitos estímulos,
perdem-se a sabedoria criativa e a intuitiva, que os neurologistas demonstram ser transmitida por meio de emoções que ativam a capacidade de raciocinar."
b) - "Comece a desenvolver o insight"
"A intuição, em geral, é apresentada como o inverso do pensamento analítico. Muitas pessoas imaginam que, ao aceitar sua intuição, irá rejeitar o senso comum e a lógica. É importante respeitar a linguagem da intuição, mesmo
durante o período em que ela se apresenta nebulosa!"
c) - "Suspenda a voz do julgamento"
"O bom discernimento é auxiliado pela intuição, ainda que não o substitua! O pensamento analítico e lógico vai criticar coisas que os fatos ainda não podem revelar e, um crítico mental vai insistir em desqualificar a intuição - " isso não faz sentido" - " isso é apenas fruto da sua imaginação"
"Quando se trata de intenções, sentimentos ou pensamentos de outra pessoa, peça esclarecimentos para ver se você está certo(a)"
d) - "Faça perguntas claras"
Como diz um antigo ditado e ressaltam os autores do livro, uma pergunta bem feita já está meio respondida!
e) - "Sinta os inevitáveis momentos de medo - e tire proveito deles"
" Em muitas organizações, onde a política é a norma e o status quo é vigorosamente defendido, a única maneira de chegar a algum lugar é ter coragem para debater construtivamente questões difíceis, o que pode provocar um certo pânico em você."
319 páginas de leitura importante para vidas pessoais e para profissionais de carreiras inovadoras, que precisam de espírito inquieto e de vontade para a investigação.
É importante, também, para evitar que, frente a situações novas e inusitadas, sejamos objetos e vítimas da manipulação de pessoas que, se servem das dificuldades alheias, para fazer sobressair seu acerto e sucesso em resultados consolidados.
No final do livro os autores ressaltam: "Se eu não for a meu favor, quem o será? Se eu for somente a meu favor, quem sou eu? E se não agora - quando?"
A emoção, de acordo com os autores, é um despertador que chama a atenção para esclarecer coisas, agir ou tomar uma posição.
Emoção é energia, é um valioso combustível para o crescimento e desenvolvimento! Cuidado, apenas, para que não usem a sua emoção para a promoção de outrem e sua vitimização.
Uma das maiores manifestações de respeito e afeto genuino ao outro é o diálogo, é o "feed back", pois só deixamos isoladas, sem respostas, imersas no sofrimento e no "escuro", na ignorância e no ostracismo, pessoas que nada acrescentam de bom à sociedade.
por Maria Lucia Zulzke, em 30 de setembro de 2009, em S.Paulo - SP - Brasil, às 12:20 hs
Utilizei alguns tópicos deste livro para cursos em empresas.
Sobre Conexões Emocionais e Intuições:
pg 85:
a) - " Lute por momentos de silêncio"
"Quando todos conversam é difícil ouvir a voz interior. Em ambientes de alta tecnologia e, com muitos estímulos,
perdem-se a sabedoria criativa e a intuitiva, que os neurologistas demonstram ser transmitida por meio de emoções que ativam a capacidade de raciocinar."
b) - "Comece a desenvolver o insight"
"A intuição, em geral, é apresentada como o inverso do pensamento analítico. Muitas pessoas imaginam que, ao aceitar sua intuição, irá rejeitar o senso comum e a lógica. É importante respeitar a linguagem da intuição, mesmo
durante o período em que ela se apresenta nebulosa!"
c) - "Suspenda a voz do julgamento"
"O bom discernimento é auxiliado pela intuição, ainda que não o substitua! O pensamento analítico e lógico vai criticar coisas que os fatos ainda não podem revelar e, um crítico mental vai insistir em desqualificar a intuição - " isso não faz sentido" - " isso é apenas fruto da sua imaginação"
"Quando se trata de intenções, sentimentos ou pensamentos de outra pessoa, peça esclarecimentos para ver se você está certo(a)"
d) - "Faça perguntas claras"
Como diz um antigo ditado e ressaltam os autores do livro, uma pergunta bem feita já está meio respondida!
e) - "Sinta os inevitáveis momentos de medo - e tire proveito deles"
" Em muitas organizações, onde a política é a norma e o status quo é vigorosamente defendido, a única maneira de chegar a algum lugar é ter coragem para debater construtivamente questões difíceis, o que pode provocar um certo pânico em você."
319 páginas de leitura importante para vidas pessoais e para profissionais de carreiras inovadoras, que precisam de espírito inquieto e de vontade para a investigação.
É importante, também, para evitar que, frente a situações novas e inusitadas, sejamos objetos e vítimas da manipulação de pessoas que, se servem das dificuldades alheias, para fazer sobressair seu acerto e sucesso em resultados consolidados.
No final do livro os autores ressaltam: "Se eu não for a meu favor, quem o será? Se eu for somente a meu favor, quem sou eu? E se não agora - quando?"
A emoção, de acordo com os autores, é um despertador que chama a atenção para esclarecer coisas, agir ou tomar uma posição.
Emoção é energia, é um valioso combustível para o crescimento e desenvolvimento! Cuidado, apenas, para que não usem a sua emoção para a promoção de outrem e sua vitimização.
Uma das maiores manifestações de respeito e afeto genuino ao outro é o diálogo, é o "feed back", pois só deixamos isoladas, sem respostas, imersas no sofrimento e no "escuro", na ignorância e no ostracismo, pessoas que nada acrescentam de bom à sociedade.
por Maria Lucia Zulzke, em 30 de setembro de 2009, em S.Paulo - SP - Brasil, às 12:20 hs
Assinar:
Postagens (Atom)