quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"Inteligência Emocional na Empresa" Cooper Robert e Sawaf A. - Ed.Campus

Os autores, deste livro, são empresários e executivos, empenhados em desenvolver lideranças com inteligência emocional. 

Utilizei alguns tópicos deste livro para cursos em empresas.


Sobre Conexões Emocionais e Intuições:


pg 85:

a) - " Lute por momentos de silêncio"

"Quando todos conversam é difícil ouvir a voz interior. Em ambientes de alta tecnologia e, com muitos estímulos,
perdem-se a sabedoria criativa e a intuitiva, que os neurologistas demonstram ser transmitida por meio de emoções que ativam a capacidade de raciocinar."

b) - "Comece a desenvolver o insight"

"A intuição, em geral, é apresentada como o inverso do pensamento analítico. Muitas pessoas imaginam que, ao aceitar sua intuição, irá rejeitar o senso comum e a lógica. É importante respeitar a linguagem da intuição, mesmo
durante o período em que ela se apresenta nebulosa!"

c) - "Suspenda a voz do julgamento"

"O bom discernimento é auxiliado pela intuição, ainda que não o substitua! O pensamento analítico e lógico vai criticar coisas que os fatos ainda não podem revelar e, um crítico mental vai insistir em desqualificar a intuição - " isso não faz sentido" - " isso é apenas fruto da sua imaginação" 

"Quando se trata de intenções, sentimentos ou pensamentos de outra pessoa, peça esclarecimentos para ver se você está certo(a)"

d) - "Faça perguntas claras"
  
Como diz um antigo ditado e ressaltam os autores do livro, uma pergunta bem feita já está meio respondida! 

e) -  "Sinta os inevitáveis momentos de medo - e tire proveito deles"

" Em muitas organizações, onde a política é a norma e o status quo é vigorosamente defendido, a única maneira de chegar a algum lugar é ter coragem para debater construtivamente questões difíceis, o que pode provocar um certo pânico em você."

319 páginas de leitura importante para vidas pessoais e para profissionais de carreiras inovadoras, que precisam de espírito inquieto e de vontade para a investigação.

É importante, também, para evitar que, frente a situações novas e inusitadas, sejamos objetos e vítimas da manipulação de pessoas que, se servem das dificuldades alheias, para fazer sobressair seu acerto e sucesso em resultados consolidados. 

No final do livro os autores ressaltam: "Se eu não for a meu favor, quem o será? Se eu for somente a meu favor, quem sou eu? E se não agora - quando?"

A emoção, de acordo com os autores, é um despertador que chama a atenção para esclarecer coisas, agir ou tomar uma posição.

Emoção é energia, é um valioso combustível para o crescimento e desenvolvimento! Cuidado, apenas, para que não usem a sua emoção para a promoção de outrem e sua vitimização.

Uma das maiores manifestações de respeito e afeto genuino ao outro é o diálogo, é o "feed back",  pois só deixamos isoladas,  sem respostas, imersas no sofrimento e no "escuro", na ignorância e no ostracismo, pessoas que nada acrescentam de bom à sociedade.

por Maria Lucia Zulzke, em 30 de setembro de 2009, em S.Paulo - SP - Brasil, às 12:20 hs

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O MITO DO PROGRESSO - GILBERTO DUPAS - Ed. UNESP


Este livro, eu li no primeiro semestre de 2006, e fiz questão de escrever para o autor agradecendo-o, como normalmente faço quando aprecio muito uma leitura.

Volto ao livro, de quando em quando! Volto ao livro para conferir meus sentimentos e racionalizações em relação a algumas decisões sobre as quais eu nada posso fazer como cidadã.

Por favor, não jogar papel no chão eu aprendi há décadas!

Gilberto Dupas analisa temas tão importantes do novo conhecimento - biologia molecular, células tronco, energia nuclear, que ainda acredito, como ele, que a humanidade não sabe colocar limites nas suas investigações para se auto proteger de uma desgraça coletiva mortal.

É nesse aspecto, do ponto do limite da ambição do ser humano, da incapacidade do ser humano se auto proteger de uma desgraça coletiva  é que o livro de Gilberto Dupas para mim foi um grande alerta.

Quantos cientistas e inventores fantásticos, não morreram lamentando suas invenções, deturpadas e usadas para o mal?
Somos divididos e coagidos por discursos éticos morais ou pela visão empresarial do lucro.

pg 206 " As questões éticas passaram a depender totalmente de circunstâncias; não cabe mais nenhuma lei universal ou igualmente definitiva para todas as pessoas"

"As atuais teorias da justiça e da moral trilham caminhos próprios, de modo diferente da ética, deixando apenas espaço para certas éticas "especializadas". Habermas nos lembra que teremos de resolver se as novas e imensas margens de decisão que a tecnologia genética abre ao homem terão de ser exercidas segundo considerações normativas inseridas na formação democrática das sociedades em que se insere, ou de maneira arbitrária, regidas unicamente por preferências subjetivas individuais e pelas regras liberais de mercado. Ele acha que devemos encarar com responsabilidade o seguinte dilema: a idéia de que intervir no genoma humano é algo que precisa ser normativamente regulamentado , ou deixaremos as transformações ao sabor de preferências que devam depender de escolhas sem nenhuma limitação?

Esse é o grande desafio para a compreensão contemporânea de liberdade. Devemos garantir que a combinação imprevisivel de duas seqüências diferentes de cromossomos continue a determinar  o direito de vir a ser através da lógica da natureza? Ou aceitaremos que o arbítrio de alguém, que deseja um "design" apropriado de um novo ser, possa interferir nos fundamentos somáticos e na liberdade ética de uma outra pessoa que ainda não existe e não pode ser consultada?"

"A engenharia genética, com suas técnicas de seleção, acabará por funcionar como uma máquina de hierarquização social. E, se for socializada, produzirá padronizações. De uma forma ou de outra, todos os cidadãos terão por genitores ou co-genitores a ciência; ou, num caso mais extremo, um Estado totalitário que tutele e determine o perfil biológico de seus cidadãos. Éramos frutos do acaso e das probabilidades, uma espécie de loteria biológica que nos protegia contra a arbitrariedade. A partir de agora, terceiros poderão nos determinar biologicamente. Nós próprios, os únicos direta e essencialmente interessados, só poderemos saber dos resultados quando eles estiverem irreversivelmente impressos em nosso ser pelos códigos genéticos que alguém resolveu escolher sem nossa aprovação."

Para Habermas "ao descontente restaria apenas escolher entre o fatalismo e o ressentimento."

"É revelador desses novos dilemas fato ocorrido em 2005, quando um rapaz londrino de 15 anos conseguiu, após obstinada procura, rastrear seu pai anônimo doador de esperma enviando uma amostra de sua saliva para testes genéticos.... E acabou encontrando o doador verdadeiro, com quem fez contato amigável, ainda que este tivesse doado sob compromisso de anonimato. Esse fato é um pequeno exemplo ds complexidades psicológicas que a engenharia genética irá desencadear."

Isso posto, perguntas:

Qual Ministério controla as incontáveis clínicas de reprodução assistida?

Qual é a lei e as regulamentações pontuais sobre esse novo ramo de clínicas no nosso país?

Qual é a possibilidade de crianças assim produzidas venham a conhecer seus genitores biológicos?

Qual é o tempo definido para congelar embriões?

Qual é o destino de embriões não usados pelos genitores biológicos?

Estão garantindo as condições de manutenção de famílias com padrões religiosos, etnicos, culturais e escolares, poder aquisitivo para as novas crianças geradas por casais estéreis?

O livro "O Mito do Progresso" é uma preciosidade para nossa leitura, reflexão e tomada de decisões em aspectos de grande seriedade no curto, médio e longo prazo.

Para evitar que.... um dia, antes de 2030, cheguemos à tristíssima conclusão que, por omissão, leviandade, inconsequência, medo, covardia, falta de persistência e tomada de decisão nós nos abandonamos aos desígnios do deusdará. 

por Maria Lucia Zulzke, em 29 de setembro de 2009, 10:00am em S.Paulo - SP - Brasil

domingo, 27 de setembro de 2009

Auto - Engano - Eduardo Giannetti - Cia das Letras

Eduardo Giannetti dedicou esse seu livro para sua mãe, poeta e psicanalista.

Ele começa o livro, na primeira linha - "A natureza submete tudo o que vive ao jugo de duas exigências fatais: manter-se vivo e reproduzir a vida. Nada escapa. Do protozoário unicelular ao autodesignado Homo sapiens".

Se a psicanalista Yone e seu filho Eduardo Giannetti me desculparem pela ousadia da interpretação da dedicatória, talvez, seja a síntese do livro - qual ser humano mais amaria, incondicionalmente? E, o autor, não querendo cometer um auto-engano, dedicou seu livro à sua mãe. Porque, eu creio, antes dele (Eduardo Giannetti) existir, sua mãe já o amava, o desejava e o esperava!

Não existe, na minha experiência de vida, investimento mais aleatório, de maior entrega, de maior confiança na vida, de maior risco de retorno, do que conceber e amar, "no escuro", num ato da mais pura fé na vida, o ser que ainda será gerado e virá pela maternidade!

Este livro e outros do Eduardo Giannetti, eu adoro, de paixão!

Pergunto-me como é possível ser profissional, professor, cientista, mestre, educador, ter responsabilidade sobre outras pessoas, influenciar a vida e definir o destino de milhões de
pessoas, cidadãos e cidadãs sem refletir os conteúdos deste livro?  !

Deveria ser um livro para vestibulares, grupos de estudos, nas empresas, nos exames de defesas de teses, para cientistas, pesquisadores, para políticos ou quem se pretende representar grupos ou comunidades da população.

Meu exemplar está muito sublinhado e fico confusa em como selecionar o que gostaria de ressaltar.

O melhor é reler, inteiro, e isso devo fazer hoje e nos próximos dias, porque nesse processo de sobrevivência e competição, disputando recursos escassos, pois estou numa faixa de idade definida como do declínio da vida, eu preciso furiosamente me auto-enganar para continuar vivendo.

"Ele agirá impelido pela intensidade de suas carências, de um lado, e limitado pelo seu leque de comportamentos e pelas ameaças e obstáculos com que se depara, de outro."

pg 60 - "A sorte, sem dúvida, não é tudo. Talento, inteligência e força de vontade contam muito."

"O prodigioso Golias - um guerreiro gigantesco com armadura de bronze, capacete, escudo e lança terríveis - desafia para um combate a dois qualquer nobre ou soldado do exército israelita. Ninguém ousa: o moral das tropas desaba. Aparece um menino chamado Davi e aceita o desafio de enfrentar o terrível Golias. Todos duvidam e caçoam, mas ninguém o impede. Armado com cinco pedrinhas redondas, uma funda(versão primitiva do bodoque) e a fé inocente de que Deus está a seu lado, o menino Davi acerta a cabeça do gigante filisteu logo na primeira tentativa - não haveria outra! e derruba-o morto ao solo. O exército israelita recobra o ânimo, retoma a iniciativa e vence o inimigo (Samuel 1, 17).

pg 61 " Os erros do ser humano tornam-no digno de amor. O maior erro de todos seria jamais errar."

pg 81 - " Não há nada externo à nossa mente que corresponda às nossas expectativas subjetivas do que se passa nela. Nosso mundo não cabe no mundo."

pg 85 - " O mundo vivido por dentro, pertence a outro mundo. "

vivências internas -" ou seja, processos mentais que, por estarem ainda mais afastados de qualquer tipo de existência independente da experiência de quem os têm, nem sequer se prestam a uma hipotética projeção visual do que vai pela mente. A concepção científica de objetividade, em suma, condena o investigador a uma postura cognitiva que faz do objeto do conhecimento uma superfície vazia de experiência e destituída de subjetividade. Não há nada de errado com isso, é claro, até onde já se chegou e pode chegar. O problema é que o mundo em que vivemos - o mundo vivido por dentro - pertence a outro mundo."

pg 95 - " O relato expressivo feito por Montaigne a partir de sua própria experiência - Se falo de mim de diversas maneiras é porque me olho de diferentes modos. Todas as contradições em mim se deparam, no fundo como na forma. Envergonhado, insolente, casto, libidinoso, tagarela, taciturno, trabalhador, requintado, engenhoso, tolo, aborrecido, complacente, mentiroso, sincero, sábio, ignorante, liberal, avarento, pródigo, assim me vejo de acordo com cada mudança que se opera em mim. E quem quer que se estude atentamente reconhecerá igualmente em si, e até em seu julgamento, essa mesma volubilidade, essa mesma discordância. Não posso aplicar a mim mesmo um juízo completo, simples, sólido, sem confusão nem mistura, nem o exprimir com uma só palavra." Nada é igual a nada. O colorido é particular, mas o problema enfrentado por Montaigne é universal. O autoconhecer modifica o conhecido....

pg 97 " Ao ouvirmos uma voz gravada, por exemplo, qualquer que ela seja, a eletricidade conduzida pela pele aumenta. Ao ouvirmos nossa própria voz gravada...."

Um bom domingo. Dia de 27 de setembro de 2009, ensolarado, brilhante, chegará talvez a 30 graus celsius, o céu está azul em S.Paulo - SP - Brasil, além de andar um pouco no parque, ficarei horas na ótima companhia deste livro. 8:40 am.

sábado, 26 de setembro de 2009

As novas passagens masculinas - Gail Sheehy - editora Rocco

Este livro foi escrito pela autora pensando e estudando homens na sua vida adulta, com todos os seus problemas de afetividade, competitividade, mercado de trabalho, casamento, sexualidade etc.

Foram realizadas centenas de pesquisas, com a ajuda de organizações, especialistas e universidades.

Ela trata de temas delicados como os aspectos econômicos na meia idade, como simplificar a vida, o que abrir mão, realizar sonhos projetados e não concretizados.


A autora lembra que, se o poder não é duradouro, a influência na sociedade pode continuar. Trata da crise da vaidade, do medo de perder os cabelos, dos fracassos nos negócios etc.

E ela ressalta - Não se aposentem - Redirecionem! Pessoas saudáveis não precisam pendurar as chuteiras. A palavra aposentar traz uma conotação negativa  - desistir, retirar, despedir, ir para a cama, segregar....

Não se aposentar mas redirecionar a vida, torna-se uma forma de buscar um novo mundo.

Importante: apesar do livro ter sido escrito para o público masculino, profissionais mulheres, que foram as responsáveis por sustentar suas casas durante sua vida ativa, pagaram pessoalmente os financiamentos de casa, de carros, de estudos e viagens, criaram filhos, enfim, que tiveram na sua vida profissional a base de sua vida econômica podem encontrar também excelentes reflexões no livro.

É sabido e divulgado que, os homens, raramente ficam sós e obtém facilmente ajuda ao longo de sua vida - mãe, esposa,  avós, secretária, filhas, namoradas, amigas, parentes são mais presentes na vida dos homens do que apoiadores de outras mulheres, porém, muitas vezes, os homens precisam aprender a pedir ajuda quando ficam sem recursos para dar conta dos problemas dos 50, 60 anos.

A autora também ressalta que, um dos fatores de sobrevivência  e bem estar dos homens, é estar casado. A chance de viver mais é maior no grupo de homens casados do que sozinhos.

Apresenta sugestões de Estratégias de Sobrevivência quando se perde o emprego, o que por si só amplia bastante o número de leitores e leitoras que podem se beneficiar da leitura.


por Maria Lucia Zulzke, em 26 de setembro de 2009, em S.Paulo - SP - Brasil

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Passagens - crises previsíveis da vida adulta - Gail Sheehy

Encontrei um outro aspecto importante no livro que não ressaltei ontem  - trata-se da passagem de magnatas empresariais ao setor de filantropia e "mentoring".

" Os problemas da generatividade"  - Para cada magnata que se transforma em filantropo e todo executivo que passa a desempenhar o papel de mentor, há dezenas de gerentes de escalão intermediário que acreditam que, se não forem capazes de manter sua percentagem no mercado, não prestam para nada.

Depois de tanto tempo medindo seu próprio valor segundo as demonstrações de perda e lucros, internalizaram todos os valores do sistema empresarial.... Por trás de seu pára choques protetores, suas rebeliões frustradas, a maioria dos gerentes de escalão intermediário sabe que custam um vintém a dúzia.

Homens mais jovens não são anjos a serem ensinados; são também uma ameaça. Esse conflito de generatividade é acompanhado pelo medo de correr mais riscos e da abominada falta de heroismo que a cada dia deixa atrás de si mais sinais desse medo....

"A coragem para uma mudança de carreira - No entanto, para muitos executivos há nesse tipo de ajustamento muita coisa que implica fracasso e obsolescência. Podem desejar sair, mas muitas vezes acham dificil passar para um trabalho de menos prestígio........ Quanto tempo realmente leva para um gerente intermediário realizar tal mudança é outra história.

....Os temores são de estagnação. Esses homens são pessoas fanatizadas pelo trabalho. Possuem uma coisa que conhecem muito bem e na qual trabalharam. Parar e mudar para outra coisa é muito duro."


por Maria Lucia Zulzke, em S.Paulo - SP - Brasil, em 24 setembro 2009, 11:35am