terça-feira, 15 de setembro de 2009

"Por favor, não me ame!"

Este livro de José Roberto Rocha, da editora Gente, chamou-me atenção pelo título. Como poderia alguém não querer ser amado(a) se todos (as) parecem procurar amor ?!

O "amor", afinal, em muitos casos,  na maior parte das sociedades disfarça sensações como desejo físico, necessidade de companhia, vaidade, desejo de ostentar "um troféu" e por isso acorrenta, abafa, tolhe, controla, coloca limites, define expectativas, modelos etc.  Para alguns homens e mulheres tem um peso imenso! 

Mesmo que digam que os filhos nasçam para serem livres..."Seus filhos não são seus filhos...."

Ao longo do livro, que é curto mas denso, 134 páginas para se pensar  - vai-se entendendo e acompanhando o raciocínio do autor  que é mineiro, cursou o colégio científico mas conseguiu diversificar para as artes e ser autor de peças teatrais, ator e músico. Jornalista, estudou na Espanha, trabalhou em empresas de comunicação e programas jornalísticos em alguns países da Europa.

Um de seus parágrafos " ... no amor nada se controla. Não existe espaço para acertos de contas. Não há como contabilizar ou medir os sentimentos. É impossível avaliar lucros e perdas,  frequente balanço do "dar e receber". No amor não devemos nos manifestar assim. A intenção cega de agradar e de ser agradado deve ser repensada e substituída pela livre fluência de nossos afetos. O comportamento de quem ama e quer ser amado passa obrigatoriamente pela espontaneidade das atitudes.

Por essas águas turvas é preciso navegar com todo o cuidado e leveza, equilíbrio e moderação. O fogo e a incandescência são elementos da paixão e do sexo, não do amor. Não podemos possuir o ser amado e nem guardá-lo para nós, privando-o do mundo, dos amigos e da vida."

por Maria Lucia Zulzke, em 15 de setembro de 2009, às 10:55am em S.Paulo - SP - Brasil.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Dewey - um gato entre livros - Vicki Myron - editora Globo

Animais não atraíam nossos afetos até que.... um gatinho, pequeno, mal cabia na palma da mão, começou a fazer parte das nossas vidas.

Com meses de idade, fez uma queda livre do 8 andar e caiu sobre a folha de uma palmeira, no térreo do prédio. Quebrou a folha da palmeira e pousou  no chão. Foi recuperado sem nenhum arranhão. Ficou dias traumatizado, sem coragem para arriscar, mas depois voltou ao "normal".



                    este é o gatinho que nós tanto gostamos e aprendemos a entender sua maneira de ser
Essa "bola de pelo" - o gatinho da foto acima, nasceu em S.Paulo - é o gatinho carinhoso, macio e temperamental que convive conosco. Não gosta que a gente espirre ou tussa perto dele. Fica assustado e corre longe, sem nunca ter sido orientado sobre a gripe suína. Não suporta ruidos fortes! Mia diferente em cada situação.

O livro "Dewey" , da editora Globo, é para quem quer se apaixonar por algum gato ou já é apaixonado(a) e quer ler páginas deliciosas sobre o gato de Iowa, que ama a companhia de livros e adotou a biblioteca da cidade como seu lar.

O livro começa assim -  "Existe uma planície de mil milhas no meio dos Estados Unidos, entre o rio Mississippi, a leste, e os desertos do oeste....

"Que impacto pode causar um animal? Com quantas vidas um gato pode se envolver? Como é possível que um gatinho abandonado transforme uma pequena biblioteca em local de reunião e atração turística, inspire uma clássica cidade norte-americana, una uma região inteira e acabe se tornando famoso no mundo todo? Você não conseguirá responder essas questões até ouvir a história de Dewey Readmore Books, o amado gato da biblioteca de Spencer, Iowa.

Estamos chamando-o de Dewey. Em homenagem ao Sistema Decimal de Dewey. Porém ainda não decidimos sobre um nome de verdade."
por Maria Lucia Zulzke, em 11 de setembro de 2009, às 10:10am em São Paulo - SP - Brasil.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

" As Brasas" - Sándor Márai - Cia das Letras

Quando estamos experimentando uma culinária diferente e que nos agrada muito, queremos voltar aos pratos preferidos e passamos dias repetindo receitas prediletas. Alguns paladares são assim e alguns sabores são assim. Outros, não queremos repetir jamais! Desagradáveis, fazem-nos mal!

Com bons livros é quase o mesmo que acontece. Como ler depressa este livro? Volto ao mesmo parágrafo várias vezes, releio, fecho o livro e volto - são palavras simples, unidas numa frase, e fazem a diferença " Vejo o instante em que o apresentei a meu pai no jardim do colégio. Ele o aceitou como amigo, porque você era meu amigo. Não confiava sua amizade a qualquer um. Falava pouco, mas podia-se confiar no que dizia, até a morte. Lembra-se daquele instante? ......meu pai apertou sua mão. Você é o amigo de meu filho? disse 'Honre esta amizade' Creio que para ele não havia nada mais importante que a honra. Está me ouvindo?"

pg 89 - " Porque existe uma verdade baseada nos fatos. Aconteceu isto e aquilo, neste ou naquele momento. São coisas fáceis de estabelecer. Os fatos falam por si, como se costuma dizer, e no final da vida todos os fatos, postos lado a lado, lançam acusações e clamam às escâncaras, com mais força do que um condenado submetido à tortura. Não pode haver equívocos sobre o que aconteceu.....Não pecamos só pelos atos, mas também pela intenção que nos leva a executar determinados atos. A intenção é tudo. Os grandes códigos  jurídicos de inspiração religiosa do passado, que consultei, declaram explicitamente: um homem pode aviltar-se por infidelidade e por atos infames, sim, também pode tocar o fundo, cometer homicídio, e no entanto conservar sua pureza interior. O ato ainda não corresponde à verdade. É uma simples consequência. .... o fato ... é fácil estabelecer, o motivo, não. Creia.... examinei todas as hipóteses que pudessem me ajudar a entender a razão desse seu passo incompreensível."

por Maria Lucia Zulzke, em 10 de setembro de 2009, às 13:30 hs em S.Paulo - SP - Brasil

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"As brasas" - livro de Sándor Márai - Cia das Letras

É um romance sobre a lealdade e amizade entre homens, durante décadas.

O tema central é o mundo masculino. O tema secundário, a disputa do amor de uma mulher. 

Não importa o país, a época, ou os envolvidos num "triângulo amoroso" quando são sentimentos humanos.


"Ninguém pode se apropriar impunemente de uma pessoa, subtraindo-a de todas as outras."


pg 83 - "Mas o pior é sufocar dentro de si as paixões que a solidão acumulou. Quem faz isso não foge de lugar nenhum, não mata ninguem. Então, o que faz? Vive, espera, mantém sua vida bem organizada....  Espera e só. Espera o dia ou a hora em que mais uma vez poderá conversar com a pessoa ou as pessoas que o reduziram a essa condição; conversarão sobre as razões que o obrigaram a essa solidão."







por Maria Lucia Zulzke, em 08 de setembro de 2009, às 11:00 am, em São Paulo - SP - Brasil

domingo, 6 de setembro de 2009

'"Sem Sangue" - Alessandro Baricco - Cia das Letras







                                   foto na Flip 2008 - julho - Paraty, Brasil

Alessandro Baricco é um escritor italiano, renomado, tem escrita enxuta, temas europeus, mas dramas e conflitos presentes em todas as culturas.

Nesse seu livro, as marcas da "guerra" revelam-se ao longo de décadas. Em "Sem Sangue", a guerra poderia ter acontecido em qualquer país, em qualquer tempo e suas marcas persistem visíveis ou invisíveis, nos corações.

Como escreve o autor, quem decide pela "guerra" considera a luta legítima para "construir um mundo melhor" mas, a maioria sofre e não tem direito à defesa.

E, será que o "mundo fica melhor?"

Nesse livro, olhares e ouvidos inocentes são testemunhas dos infortúnios de sua família nuclear.


"Muitos anos depois, haverá um encontro fortuito entre uma senhora e um vendedor de bilhetes de loteria. Mas não se pense em bilhete premiado nem sorte grande. Mais uma vez, o desfecho que parece óbvio driblará as expectativas, pois o destino reservou surpresas ao encontro dos protagonistas com seus próprios fantasmas."

"Para quem sofreu suas crueldades, quando se pode dizer que uma guerra chegou ao fim? E os nobres ideais podem justificar a violência?"

" O autor, nascido em Turim, é pianista de formação, graduado em filosofia e foi crítico de jornais e televisão."


por  Maria Lucia Zulzke,  em São Paulo - SP - Brasil,  em  6  setembro  2009